A Espada do Dragão

Nerdcore para as massas

O que houve com o Andre desde 2010 ?

Queridos amigos, pequeno público fiel do meu blog, totais desconhecidos que caem aqui de pára-quedas: As próximas linhas são uma mistura de desabafo, muita auto-piedade, um pouquinho de satisfações que eu devo (ou não) a quem quer saber notícias, mas principalmente um meio de me sentir, talvez, um pouco melhor, e servir de registro, uma vez que meu futuro não anda certo faz muito tempo.  Os relatos e as datas podem não estar muito certos, até porque minha memória já não é a mesma faz muito tempo, e as lembranças são bagunçadas por sentimentos e temores, então, apesar de eu tentar ser o mais preciso possível, algumas coisas podem ficar meio confusas nessa minha catarse.

Era ainda 2009 quando a minha saúde renal começou a piorar. Ao final desse mesmo ano, o meu casamento se sustentava, mas a relação não ia bem. Eu esperava da minha mulher um cuidado com as coisas que, por personalidade ou seja lá o que for, ela não podia me dar. E ela de mim esperava demonstrações de afeto que eu não conseguia dar sem a esperada retribuição. Um circulo vicioso e o começo do pedaço do meu inferno particular. Ao final daquele ano, não houve comemoração de réveillon.  Ficamos em casa, num clima tenso que perdurou até o dia 26 de fevereiro, data do aniversário de nosso casamento. Por desencontros de informações e de expectativas, por stress, pelo que estava acontecendo, não  houve a comemoração da data. Eu não providenciei nada e ela esperava muito.  Talvez esse tenha sido o ponto culminante de muita coisa que estava errada, e, no começo do próximo mês, ela achou que a situação estava insustentável e foi embora.

Acho importante dizer que, a cada nova consulta, a situação dos meus rins piorava. Estávamos cientes que eu deveria, em breve, encarar a realidade de entrar em hemodiálise. Os problemas de saúde assustariam qualquer pessoa que estivesse ao meu lado, além do que afetam terrivelmente minha personalidade.  Você fica mal-humorado, indisposto e irritado quando está doente? Então é fácil imaginar a vida quando você SEMPRE está doente, e ainda tem que conviver com todos que, por verem você em pé, andando e conversando, acham que tudo está bem ou menosprezam seu problema.

Nos próximos meses, eu entrei em estados variados de depressão, sempre tentando recuperar o casamento, o qual eu acreditava (ou tolamente ainda acredito, nem sei mais) que pudesse ser refeito. No entanto, ela já vivia a vida de solteira, em todos os aspectos, enquanto eu continuava (continuo?) casado,  e, apesar de algumas tentativas sem vontade que perduraram por muitos meses ainda, a idéia na cabeça dela já estava posta. Eu não entendo ainda como um amor pode morrer, acabar, mas esse era o argumento utilizado. Eu fiz todas as ressalvas, me dispus a todas as mudanças e, principalmente, ignorando palavras e atos que dilaceravam minha masculinidade, minha honra, meu orgulho. Fui só concessões até perceber uma pessoa forçando-se a estar comigo quando os sentimentos que andava nutrindo eram todos negativos, para não usar adjetivo mais forte.

Nesse ínterim, entre picos de depressão e esperança em mudanças, cheguei  bem próximo de cometer um suicídio. A saúde pior a cada novo exame, e hoje eu percebo que o casamento, mesmo que não tivesse passado por crise, não ia ter como se manter. E nem acredito mais que eu possa vira a me relacionar novamente. Os problemas de saúde são muitos e avassaladores para uma segunda pessoa agüentar. As pessoas não têm idéia real do que eu venho passando: feridas, coceira, náuseas e vômitos, sono profundo, incontinência, fraquezas que me travam num sofá por um final de semana inteiro, perda de visão que pode ser irreversível (cegueira), câimbras e um sem número de outros sintomas e reações que fazem que eu não tenha um dia onde não passe mal. Setembro de 2010 chegou e eu confeccionei minha fístula (some uma deformação na veia do braço aos atrativos listados até aqui…) e, no mês seguinte, comecei a hemodiálise, além do que efetivamos o processo de divorcio. Estava divorciado pela lei.

A sensação era de traição e abandono: Na hora mais difícil de minha vida eu estava sozinho, sem contar, é claro, com a super proteção dos familiares: Passei a ser mais ainda o doente da família. Incapaz. Afastado do trabalho e de toda e qualquer coisa que possa me ferir. O cuidado extremo é uma forma poderosa de isolamento.

Por falar em solidão: No começo de todo esse processo, já sozinho, eu comecei uma reforma em minha casa e fiquei na casa de minha mãe, onde era mais fácil “me cuidar” e onde foi mais fácil não sentir tanto a falta que cinco anos de casamento fariam. Logo após a reforma, voltei a minha casa, reformada  e  planejada para suprir algumas antigas reclamações, e logo um amigo veio passar uns tempos comigo. Agora cerca-se o dia em que ele vai embora, e pela primeira vez vou ficar mesmo sozinho. Somado a total falta de ocupação e a piora do meu estado de saúde que vem ocorrendo nos últimos dias, não sei o que pode acontecer.

Os amigos quase não aparecem, a não ser que haja um motivo, e eu praticamente não estou me locomovendo sozinho: Posso ter um piripaque sozinho na rua ou dirigindo; até ônibus estou evitando pegar, e as sessões de diálise das quais eu voltava sozinho agora só vou e volto de carona. Há dias em que, do nada, o corpo enfraquece e amolece; outros onde eu durmo de manha até a noite, e outros onde o simples pensar em comida me faz vomitar ou ter problemas intestinais. E outros qe misturam dois ou mais desses sintomas.

Existe um processo correndo onde eu poderia ser o beneficiário de um transplante de rins e pâncreas, que na teoria acabaria com uns 80% ou mais dos meus problemas. Mas esse processo é lento, pouco claro e burocrático. E, adivinhem, ao contrário do que quem está de fora pensa (era o que eu pensava), um transplante não é eterno: Ele pode durar 20 anos, assim como pode durar seis meses, assim como pode durar três dias. Depois disso volta a agonia de sempre.

Toda essa piora, dificuldades no tratamento e falta de boas noticias vem me deixado agressivo, deprimido, triste. Não tenho paciência com mais nada, nem com meu bicho de estimação, ao qual só alimento e grito ultimamente, afastando-o. Mas a principal pessoa a quem venho machucando com grosseria e irritação e a minha mãe, logo ela, que é só boa vontade e agüenta tudo com aquela paciência de mãe, mas sei que derrama mais lágrimas do que eu. Por falar nisso, vem acontecendo muito… Eu simplesmente paro, penso, me desespero e choro, praguejo o u questiono. Às vezes peço pra morrer logo e livrar a mim e a quem me cerca desse inferno. Mas eu não quero morrer na verdade. Só não quero essa sub-vida.

Tenho compensado algumas insatisfações com coisas: Quem me conhece sabe o quanto sou apegado a coisas, e está cada vez pior. Compro jogos que não vou jogar, livros que não vou ler e vou me cercando dessas coisas, me endividando, não fico nem mais feliz quando elas chegam ou quando as tiro da loja. Cada vez mais fugaz, nem isso serve mais pra me alentar.

Sinceramente, estou sem nenhuma esperança em nada. Nem na vida, nem em melhora, muito pelo contrário. Acredito em uma morte repentina ou em uma longa vida de sofrimento ainda, a qual eu só não abreviei ainda por conta da minha criação católica, que me faz ter esse temor irracional (será?) das conseqüências de um suicídio para a alma eterna.

Com o pouco de fé que me resta, e acreditem, é quase nenhuma, peço a Deus que 2011, apesar do mal começo, seja melhor que o estranho 2010, certamente o pior ano de minha vida. Enquanto isso, vou mantendo minhas expectativas baixas, pois assim qualquer mudança é lucro. Peço desculpas a minha ex-esposa se expus algo indevido ou deixei uma impressão errada com a forma com que escrevi, e posso tirar do ar à qualquer hora caso deseje, deixando claro aqui que não estou culpando ninguém nem querendo que ninguem tenha a impressão de que ela é uma vilã nessa história, absolutamente, ela é uma pessoa importantíssima para mim, e tentarei sempre ter um espaço em meu coração para ela.

E pra terminar, fiz hoje um exame pois estou com suspeita de hepatite. A combinação diabetes/falência renal/hepatite comumente é fatal. Para uma coisa totalmente nova.

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janeiro 31, 2011 - Posted by | Fútilidades, RYUNOKEN STUFF

7 Comentários »

  1. Poxa, Ryu, nem sei o que dizer. Só desejo que melhore, que esteja entre nós no FB, que joguemos online por aí e que os Midbosses voltem.

    E que volte a ser o feliz surtado Ryu que você sempre foi! =D

    Comentário por Intentor | janeiro 31, 2011 | Responder

  2. Meu caro, sei que não consigo nem começar a imaginar como isto realmente seja na pele, mas… A vida é preciosa, mesmo que muito injusta em vários momentos. Só nos resta tentar ser maior e mais forte do que os problemas.

    Fear is the mind killer.

    Comentário por jigu | janeiro 31, 2011 | Responder

  3. Puxa! Eu vi pelos seus tweets que você não tava bem, que estava com problemas remais. Mas nunca pensei que a coisa fosse tão feia assim.

    Torço para que você consiga o transplante esse ano.

    Força e boa sorte.

    Comentário por Alphazine | janeiro 31, 2011 | Responder

  4. É chato ler isso. Mas só posso dizer uma coisa: força e não desista. Tudo vai dar certo.

    Comentário por Guilherme | fevereiro 1, 2011 | Responder

  5. Que mals… :\ Não tenho muito a falar, apenas reforçar o desejo de melhoras de todos aqui… Precisando estamos aqui meu caro… Talvez não possa fazer muito, mas, tem meu contato então, no que puder ajudar, é só falar! Abraços e força!!!

    Comentário por lgjOni | fevereiro 1, 2011 | Responder

  6. ….

    Comentário por Umbrus Íł-Ɣeck | setembro 2, 2011 | Responder

  7. ….irmão…

    Comentário por Umbrus Íł-Ɣeck | setembro 2, 2011 | Responder


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