A Espada do Dragão

Nerdcore para as massas

Watchmen – o Filme

Sei que estou devendo uma dezena de filmes do “3 Filmes por Semana”, mas vou pagar em breve, sei exatamente quantos devo, e são muitos.

Mas hoje eu vim falar sobre Watchmen, seja pra ser mais uma resenha perdida na Net, seja pra reforçar a gama de opiniões que estão pipocando por aí.

Pra que você não precise ler até lá no final em suspense, digo logo: o filme é bom, muito bom. Nem preciso me estender naquele papo que o cinema e os quadrinhos são mídias diferentes, que concessões tem que ser feitas, mas é isso. Foi uma adaptação muito bem feita e muito dos temores dos fãs (fãs de quadrinhos normais, não fãs xiitas, que esses vão odiar) não se confirmaram. e eu acho imprescindível que você leia a HQ, seja antes ou depois de ver o filme.

De um modo geral está tudo lá, mesmo que em menos de três horas. A ambientação está muito fiel, e a fotografia ajudou bastante. As roupas modernizadas, ao final, se mostraram um problema muito menor do que pareciam. Alguns pontos da história tiveram que ser retirados ou adaptados pra que a compreensão ficasse mais fácil, mas nada muito medonho. Apesar que, tive a sensação em um ou dois pontos que a retirada de certas passagens ou citações contribuíram mais para a não-compreensão da mensagem da obra do que o contrário. é o caso da controversa cena entre o Comediante e a primeira Espectral, logo após a reunião dos Minutemen. A exclusão de uma frase da personagem ali retirou muita informação sobre a cena e sua importância na trama.

Os personagens estão muito bem caracterizados, com destaque para o Coruja e o Rorschach. No entanto, alguns dos cortes acabaram deixando personagens bem mais rasos do que são, e os principais afetados foram o dr. Manhatan e a Espectral. O resumo monstro do monologo do primeiro em marte, junto a seu flashback que também foi deverás sintetizado faz com que a personagem seja muito menos entendida do que deveria. e as relações conturbadas da Espectral, seja com sua mãe, com o Dr. Manhatan, com o Coruja e até com o Comediante passam quase despercebidas, apagando a personagem.

E dando ainda mais destaque ao velho Rorschach, magistralmente caracterizado, mesmo que também tenha sofrido com certas concessões, como na sua origem ou na sua relação com o psiquiatra da prisão.

Ozymandias eu já não achava tão interessante na HQ, e acabou ficando menos ainda no filme.

E eu queria não cair no cliche de falar da beleza e sensualidade da Espectral, mas Malin Akerman em látex fará parte de meus devaneios nerds eternamente à partir de agora…

A necessidade de fazer um filme de super-heróis nos apresenta a algumas cenas de luta forçadas e desnecessárias. Dentre estas, so mesmo a luta de Espectral e Coruja contra a gangue dos coques se destaca.

A trilha sonora me agradou bastante, com música remetendo a época em que o filme acontece. Só achei “Hallelujah” desnecessária, além de uma tremenda sacanagem com o camarada Coruja.

E o famigerado final diferente, apesar de ficar muito aquém do final das HQ’S, funcionou bem para a tela. Apesar de que, se você começar a pensar demais nele, vai acabar achando que não foi uma solução tão inteligente assim, que provavelmente tem muito mais possibilidades de voltar ao ponto inicial do que o final verdadeiro. Mas se você parar mesmo pra pensar, sabe que poderia ter sido bem pior.

Tudo isso faz de Watchmen, uma das mais difíceis adaptações de quadrinhos pra cinema que poderiam existir, uma das melhores. Quem diria.

Se você quer ler sobre o jogo dos Watchmen, que fará Alan Moore ter comichão na barba, clique aqui.

março 8, 2009 - Posted by | 9ª Arte e Congêneres, Cinemateca Nerd, Filmes, Reviews |

4 Comentários »

  1. […] você fica sabendo sobre o filme, e aqui sobre o webgame dos […]

    Pingback por Watchmen, o jogo - Análise da Demo « Bem Vindo a WarpZona! | março 8, 2009 | Responder

  2. SILK spectre usando latex. FFFFFFFFFFFFFFFFFFFUUU…
    Assistirei outro dia e discutiremos, beijos.

    Comentário por retro | março 8, 2009 | Responder

  3. Adorei a trilha, e quanto ao lance da escolha de “Hallelujah”, repito o que disse numa lista que assino: pro povo daqui a parada soou mais engraçada do que deveria porque lá não usam “aleluia” pra qualquer entrada de salário, virada de jogo aos 45 minutos, ou não-broxada de alguém. É um lance idiomático, mesmo. Pelo menos eu não vejo os americanos (ou gringos em geral) usar “aleluia” como quem fala “bom dia”😛

    Comentário por Giglio | março 8, 2009 | Responder

  4. Muito bom, Ryu! Curti pra caramba.

    Vai postar aqui as nossas “versões de Watchmen por outros diretores”? Ia ficar foda.

    Abração.

    Comentário por CaLviN | março 11, 2009 | Responder


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